Manifestações contra o aumento do custo de vida na França reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas, mas foram marcadas por episódios de violência, incêndios, saques e confrontos com a polícia em diversas cidades do país. Segundo a imprensa francesa, grupos violentos provocaram destruição em áreas urbanas, enquanto a maioria dos participantes marchou pacificamente.
A mobilização ocorreu no sábado (17) e atingiu cidades como Paris, Lyon, Marselha, Lille, Angers e Bordeaux. Entre os locais danificados estão a Câmara Municipal de Limoges, atingida por um incêndio, e o posto de turismo da praça Bellecour, em Lyon.
Em outras cidades, prédios públicos foram invadidos e estabelecimentos comerciais, saqueados. Em Bordeaux, a residência de uma representante do Estado também foi alvo de invasão e depredação.
Paris registra confrontos e destruição
Na capital francesa, grupos vestidos de preto e com os rostos cobertos atacaram estabelecimentos comerciais, destruíram mobiliário urbano e incendiaram veículos. Os confrontos se espalharam por diferentes bairros e chegaram às proximidades de locais importantes do poder político, como o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, descreveu o cenário como de destruição generalizada. Já o jornal Le Parisien classificou os episódios como “cenas de insurreição”, atribuindo a violência a uma minoria que, segundo o veículo, não representava o conjunto dos manifestantes.
Mais de 1.200 pessoas são detidas
O governo francês informou que 1.200 pessoas foram detidas durante os protestos e que 150 policiais e integrantes da gendarmaria ficaram feridos. O presidente Emmanuel Macron afirmou, em publicação na rede social X, que os responsáveis por ataques a prédios públicos e estabelecimentos comerciais serão identificados e punidos. O ministro do Interior atribuiu a violência a grupos que classificou como ligados à extrema-esquerda. A avaliação, porém, faz parte da disputa política em torno dos episódios.
Violência provoca reação política
A líder da extrema-direita Marine Le Pen afirmou que reivindicações sociais legítimas foram prejudicadas pela atuação de grupos violentos. Ela responsabilizou setores da esquerda radical e criticou declarações do deputado Jean-Luc Mélenchon. Mélenchon, por sua vez, atribuiu parte da responsabilidade pelos confrontos às orientações da chefia da polícia de Paris, que classificou como inadequadas. Enquanto autoridades discutem a responsabilidade pelos atos de vandalismo, a mobilização expõe a tensão social provocada pelo custo de vida e o desafio de distinguir as reivindicações pacíficas dos atos de violência registrados durante os protestos.




Deixe um comentário