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Brasileira presa por tráfico na Tailândia dá 1ª entrevista após deixar prisão: “Me senti abandonada”

A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, trabalhou em uma padaria e fez massagens durante os quatro anos e meio em que esteve presa na Tailândia para conseguir comprar alimentos e produtos básicos de higiene. Sem familiares no país asiático, ela precisou encontrar meios de custear parte das próprias despesas dentro do sistema prisional. O relato foi feito em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, exibida no programa Domingo Espetacular, da Record.

Mary Hellen foi presa em fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, após ser flagrada com cocaína escondida em compartimentos falsos de malas. Após deixar a prisão e retornar ao Brasil, ela falou publicamente sobre a experiência e as dificuldades enfrentadas durante o período de encarceramento. As informações sobre a rotina na prisão também foram relatadas pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável pela defesa da brasileira.

Segundo a advogada, o dinheiro obtido com o trabalho era usado para adquirir itens que não eram fornecidos pela unidade prisional, como pasta de dente, escova de dentes, chinelos e alimentos que ela conseguisse consumir com mais facilidade.

“Ela não tinha família na Tailândia e a gente não conseguia fazer esse depósito”, explicou Kaelly, ao relatar as dificuldades para enviar dinheiro à brasileira durante o período de encarceramento.

Aprendeu idiomas e ajudou outros brasileiros

Durante o período na prisão, Mary Hellen também aprendeu inglês e tailandês para se adaptar à rotina local. O conhecimento dos idiomas permitiu que ela ajudasse outros brasileiros que chegavam ao presídio sem saber se comunicar ou compreender o funcionamento da unidade. De acordo com a advogada, a brasileira chegou a atuar como tradutora informal, orientando compatriotas recém-chegados. Ela dividia o espaço prisional com cerca de 150 mulheres de diferentes nacionalidades.

Pena foi reduzida e brasileira voltou ao país

Mary Hellen foi condenada inicialmente a nove anos e seis meses de prisão. Segundo a defesa, a confissão em audiência contribuiu para a redução inicial da pena, enquanto os perdões reais concedidos pelas autoridades tailandesas permitiram diminuir o período de encarceramento. A brasileira deixou a prisão após ser beneficiada por um perdão real coletivo e retornou ao Brasil em 5 de setembro de 2026. Para custear a passagem aérea, familiares organizaram uma arrecadação que reuniu aproximadamente R$ 6 mil. Durante os anos em que esteve presa, Mary Hellen perdeu a mãe, Thelma Coelho, que morreu em abril de 2024, e também o avô.

Agora de volta ao Brasil, ela tenta reconstruir a vida após mais de quatro anos longe da família. Na entrevista a Roberto Cabrini, a brasileira compartilhou os sentimentos e as dificuldades vividos durante o período na Tailândia, marcado pelo isolamento e pela distância dos familiares.

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