O governo da Argentina optou por uma estratégia de apaziguamento nesta terça-feira (28) para diminuir a tensão diplomática com o Brasil, gerada pelas duras declarações do presidente Javier Milei contra o chefe do Executivo brasileiro. Durante um evento em São Paulo no último sábado, Milei chamou o presidente Lula de “presidiário” e “ladrão”, além de classificar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, como “lixo careca”.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, tentou relativizar o episódio, classificando-o como parte de um embate meramente ideológico. “São diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca transformou essas diferenças em questão diplomática”, afirmou, ressaltando que o governo não deseja que os ataques prejudiquem as relações comerciais bilaterais.
Apesar do tom conciliador de Ravier, o Itamaraty já adotou uma medida protocolar ao convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, em resposta direta às ofensas proferidas por Milei. Uma fonte diplomática brasileira ouvida pela AFP classificou as falas do argentino como um desrespeito “a dois Poderes, ao povo e à democracia brasileiros”.
A crise foi agravada quando, em entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil, o México e o Partido Democrata dos EUA de financiarem uma suposta “campanha anti-Argentina”, sem, no entanto, apresentar qualquer evidência. Ravier, por sua vez, insistiu que os ataques verbais são recorrentes e não devem afetar as relações diplomáticas. “Sempre houve insultos dos dois lados”, completou, minimizando o impacto das declarações presidenciais.




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