Uma investigação revelou a existência de um mercado digital ilegal voltado à venda de logins, senhas e acessos a sistemas públicos e privados. Durante um mês, negociações foram acompanhadas em fóruns e grupos de mensagens onde criminosos comercializavam credenciais roubadas de autoridades, magistrados e servidores públicos para manipular registros governamentais.
Entre os serviços oferecidos estavam a alteração de processos judiciais, a exclusão de multas de trânsito, a remoção de mandados de prisão e o acesso a bancos de dados sigilosos, como os do Imposto de Renda e das Secretarias de Segurança Pública. Os preços variavam conforme o sistema: acessos a dados estaduais de segurança eram vendidos por R$ 110, logins da Justiça por R$ 500, e a alteração ou exclusão de ordens de prisão chegava a custar R$ 1.000.
Testes realizados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) confirmaram que as credenciais negociadas eram autênticas e funcionais. A investigação apontou a atuação de redes internacionais e comunidades conhecidas como “The Com”, que utilizam os dados obtidos para chantagens e fraudes. Em Goiás, investigações identificaram cerca de 140 adulterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão e 350 acessos indevidos aos sistemas do Tribunal de Justiça local.
Além dos impactos nos sistemas judiciais e de segurança, a exposição indevida de acessos permitiu incidentes como o disparo não autorizado de alertas com a palavra “misantropia” via Defesa Civil para celulares em todo o país. Especialistas e órgãos oficiais reforçam que a vulnerabilidade muitas vezes decorre de falhas humanas na gestão de senhas e phishing, ressaltando a importância do uso de autenticação multifator e do monitoramento constante de vazamentos.




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