Política

Trump estende por um ano emergência contra o Brasil, mas sem novas retaliações

EVIAN-LES-BAINS, FRANCE - JUNE 16: U.S. President Donald Trump attends a working lunch with leaders of G7 and the Middle East, on June 16, 2026 in Evian-les-Bains, France. Leaders from the Group of 7 (G7) countries convened in Evian, France, near the Swiss border, for their annual summit to discuss challenges to peace and security for Ukraine and Europe, the situation in the Middle East, and other geopolitical issues. (Photo by Evelyn Hockstein - Pool/Getty Images)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por mais 12 meses o estado de emergência nacional decretado contra o Brasil em 2025. A decisão, que será publicada oficialmente no Federal Register (o Diário Oficial dos EUA) nesta quarta-feira (29/7), não impõe sanções ou tarifas adicionais ao país, limitando-se a estender a ordem executiva assinada no ano passado.

No comunicado, Trump repete os argumentos que justificaram a medida original, voltando a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente norte-americano classifica as ações da corte como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA, citando especificamente casos de “censura e prisão” de indivíduos que, segundo ele, exercem a liberdade de expressão.

O documento também faz referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Trump alega que Bolsonaro, sua família e apoiadores são alvo de perseguição política por parte do governo brasileiro, o que, em sua visão, contribui para a “erosão do Estado de Direito” e violações de direitos humanos no país.

Impacto prático
Apesar da retórica, a prorrogação da emergência nacional — que agora vigora até 30 de julho de 2027 — não resulta em novas medidas restritivas. Ela apenas mantém em vigor a Ordem Executiva 14323, que havia imposto, no ano passado, uma tarifa adicional de 40% sobre alguns produtos brasileiros.

Essa sobretaxa, assim como a tarifa geral de 10% aplicada por Trump a diversos países, foi posteriormente suspensa após negociações bilaterais e uma decisão da Justiça dos EUA que considerou a medida ilegal. Atualmente, o Brasil já enfrenta uma taxa de 37,5% sobre algumas exportações para os EUA, decorrente de outras investigações comerciais.

A prorrogação da emergência ocorre em um momento de tensões comerciais, mas a decisão de não ampliar sanções sugere um movimento mais político do que prático por parte da administração Trump.

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