ALE reprova contas de David Almeida que pode ficar inelegível por oito anos

Manaus – A reprovação unânime das contas de 2017 do atual prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), expõe não apenas um histórico de irregularidades na gestão pública, mas também um possível desfecho político grave: a inelegibilidade do gestor por oito anos, caso a decisão seja confirmada pelo Judiciário, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 64/1990).

O parecer técnico elaborado pela CAE identificou sete irregularidades consideradas de “elevada gravidade” durante o período em que David Almeida governou o Estado interinamente, entre maio e outubro de 2017. Segundo o relatório, as falhas incluíram violação de normas constitucionais e legais, descontrole fiscal e impactos negativos diretos sobre áreas essenciais, como saúde e educação.

O deputado Wilker Barreto (Mobiliza), relator do processo, explicou que o parecer não se limitou ao nome de David Almeida, mas à análise de um exercício financeiro “marcado por instabilidade política” e pela alternância de três governadores. Ainda assim, o resultado da comissão foi claro: reprovação unânime das contas. O relatório segue agora para votação no plenário da ALE, onde será decidido se o parecer da comissão será mantido.

O caso acende um alerta sobre a gestão e a responsabilidade fiscal de David Almeida, que já vinha enfrentando críticas por falta de transparência e priorização política em detrimento da boa administração. As irregularidades apontadas pela CAE revelam uma condução administrativa marcada por improvisos e pela incapacidade de garantir o equilíbrio financeiro do Estado, mesmo em um curto período de governo.

A decisão também será encaminhada à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Amazonas, ao Ministério Público de Contas (MPC) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), que poderão instaurar procedimentos nas esferas cível, criminal e de improbidade administrativa.

Caso o parecer da ALE seja confirmado pela Justiça, David Almeida pode se tornar inelegível até 2033, o que representaria um duro golpe em suas pretensões políticas e na sua imagem como gestor.

Enquanto tenta se projetar como liderança consolidada em Manaus, o prefeito enfrenta agora o peso de uma decisão que coloca em xeque sua trajetória política, e expõe, mais uma vez, os problemas de uma administração que parece não ter aprendido com os erros do passado.